Todo ano, com a chegada de dezembro, uma batalha silenciosa começa no Brasil: qual música se tornará o hino do verão e do carnaval? 2026 não foi exceção, com a disputa se desenrolando entre representantes do funk, pagode, bregue, aché e, claro, sertanejo. Como observa Daniel Aguiar, editor de música e cultura do Deezer, os favoritos geralmente incorporam o “suco puro do Brasil” — uma mistura de influências regionais com as quais os brasileiros de Oiapoca a Chui se conectam inconscientemente. De fato, os principais concorrentes deste ano são híbridos surpreendentes, tornando difícil definir um gênero puro.
A favorita indiscutível no início do ano era “Jetski”, de Pedro Sampaio com participação de Melody e MC Meno K. A música não só entrou nas paradas, como também alcançou o Top 100 global do Spotify antes do Ano Novo. Qual o segredo? Aguiar disseca o sucesso: a pulsação de 150 BPM característica do funk; uma batida que lembra o bregue; e trechos vocais com Auto-Tune apresentados como pop. Esse híbrido, segundo o especialista, é o que a maioria dos brasileiros reconhece. Pedro Sampaio criou a fórmula para a música perfeita do verão — dançante, cativante e, ainda assim, tecnicamente complexa.
Mas o funk não é o único protagonista. O Pagode recebeu um golpe inesperado: Chocolate, com a faixa “Alô Virgínia”, com participação de Turma do Pagode, alcançou o topo do Spotify Brasil e das paradas globais. Os integrantes da banda admitem que o sucesso é fruto de uma estratégia consistente: lançaram faixas, testaram a reação do público e esperaram o momento viral. E ele aconteceu em grande parte graças à simplicidade: a coreografia fácil criada por Lucas Guedis e a letra direta permitiram que a música explodisse no TikTok. Isso prova que, na era das redes sociais, muitas vezes não é a música mais complexa que vence, mas sim a mais acessível e sincera.
