Carnaval Pré-histórico: Como as Tribos Ancestrais do Brasil Influenciaram a Principal Festa do País

por Nicole Pinto

O Carnaval no Brasil hoje é uma celebração de milhões de penas, brilho e ritmos de samba, mas suas raízes remontam a milhares de anos. Uma equipe internacional de arqueólogos descobriu recentemente que os brasileiros pré-coloniais celebravam grandes festas com bebidas alcoólicas já entre 2300 e 1200 a.C. Esses carnavais primitivos surgiam durante o verão, quando cardumes de peixes migratórios chegavam à costa, trazendo consigo uma abundância efêmera. Cientistas analisaram fragmentos de cerâmica antiga descobertos na região da Lagoa dos Patos, no sul do Brasil, e encontraram as evidências mais antigas da produção de bebidas alcoólicas. As margens dessa lagoa são conhecidas por antigos montículos de terra afundados, localmente chamados de “cerritos”.

Os pesquisadores descobriram que esses montículos foram erguidos pelos ancestrais dos povos indígenas dos Pampas, principalmente as tribos Charrúa e Minuano. Mas a verdadeira sensação estava na cerâmica: análises químicas detalhadas permitiram reconstruir a composição de bebidas pré-históricas. Elas eram preparadas com diversos tubérculos, milho doce e… medula de palmeira. Outros fragmentos de cerâmica preservaram abundantes vestígios de preparo de peixe, reforçando a hipótese de que as festividades eram realizadas em épocas de abundância sazonal proveniente dos rios e mares.

Por que esses lugares atraíam pessoas? Descobriu-se que os cerritos possuíam um enorme significado simbólico para as tribos antigas. Serviam não apenas como locais de sepultamento, mas também como marcos territoriais, monumentos e estruturas de proteção durante as cheias. A pesca, inclusive do peixe-croaker-de-dentes-brancos, facilitava a comunicação pacífica e unia as tribos dispersas que migravam de áreas muito remotas para esses locais. Análises isotópicas de restos humanos antigos dessa região revelaram que aqueles que se reuniam para as festividades tinham uma dieta bastante variada, longe de ser exclusivamente à base de peixe. Isso sugere que pessoas vinham de longe para participar desses festivais pré-históricos, possivelmente para trocar mercadorias, forjar alianças e, claro, desfrutar de libações rituais. Esses eventos não eram apenas piqueniques, mas sim eventos sociais e religiosos cruciais.

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