Em 2024, o mundo da arqueologia foi abalado por notícias vindas da cidade litorânea brasileira de São Luís, capital do estado do Maranhão. Operários da construção civil, que construíam um novo complexo residencial, encontraram acidentalmente ossos humanos e fragmentos de cerâmica. Arqueólogos convidados a investigar o local fizeram uma descoberta verdadeiramente inovadora: o maior cemitério indígena, datado de 10.000 anos atrás. Nas línguas dos povos indígenas tupi-guarani, este sítio é chamado de Upaon-Açu, que significa “ilha grande”. Ele continha vestígios de atividade humana pré-histórica que permaneceram ocultos sob a terra por décadas.
Ao todo, os cientistas recuperaram 43 esqueletos humanos e mais de 100.000 artefatos. Mas a descoberta mais surpreendente foi a evidência da existência de pelo menos quatro populações de diferentes períodos da história brasileira no mesmo sítio. A camada cultural superior continha numerosos artefatos do povo Tupi, que viveu antes da chegada dos portugueses. Abaixo desta, havia uma camada Sambaqui contendo ossos, conchas e cerâmica. Abaixo desta camada, a uma profundidade de cerca de dois metros, os arqueólogos descobriram cerâmica datada de 8.000 a 9.000 anos atrás — significativamente mais antiga do que todos os montículos conhecidos anteriormente.
Os restos humanos mais antigos, segundo os pesquisadores, pertencem a uma comunidade de caçadores-coletores até então desconhecida. Este grupo antecedeu o povo Sambaqui, uma cultura costeira que construía enormes montículos de até 30 metros de altura com conchas. Até esta descoberta, os Sambaqui eram considerados os habitantes mais antigos do estado do Maranhão. A nova descoberta comprova que esta costa também foi habitada por povos ainda mais antigos, sobre os quais a ciência está apenas começando a descobrir informações, e que o povoamento desta parte do Brasil ocorreu 1.400 anos antes das estimativas anteriores.
