Cemitério Upaon-Açu: Como sepultamentos de 10.000 anos em São Luís estão reescrevendo a história brasileira

por Nicole Pinto

Uma análise de restos mortais de 10.000 anos revelou um retrato desse povo enigmático. Eram de baixa estatura — o maior esqueleto mede apenas 1,6 metros. A maioria dos sepultamentos pertence a homens adultos; os restos mortais de apenas duas crianças foram encontrados nas sepulturas. O arqueólogo Wellington Lage, que liderou as escavações, observa: “A análise inicial mostra que essas pessoas se dedicavam a atividades físicas intensas, como evidenciado pelas marcas nos ossos que indicam esforço e considerável mobilidade”. Eram pessoas resilientes e fortes, acostumadas a condições adversas.

Os objetos funerários encontrados nos sepultamentos são particularmente valiosos. Os cientistas descobriram milhares de itens, desde ferramentas primitivas até joias rituais. Segundo os pesquisadores, o fato de os sepultamentos estarem localizados em uma área habitada há vários milhares de anos sugere que esse sítio teve um significado especial para diversos grupos culturais ao longo de muitas gerações. Não se trata apenas de um cemitério, mas de um verdadeiro arquivo histórico, onde cada sepultura é uma página de um livro sobre a vida dos primeiros habitantes do litoral brasileiro.

A descoberta em São Luís dá continuidade a uma série de descobertas sensacionais que reescrevem a história da América do Sul. Anteriormente considerada como tendo sido povoada relativamente tarde, esses sepultamentos comprovam que uma estrutura social complexa, uma cultura desenvolvida e possivelmente até crenças religiosas distintas existiam ali há pelo menos 10.000 anos. Os arqueólogos pretendem analisar minuciosamente os achados para aprender mais sobre essa cultura arcaica, que ainda sequer possui um nome nos círculos científicos. Essa descoberta demonstra que a história do Brasil é muito mais antiga e rica do que imaginávamos, e novos segredos estão literalmente sob nossos pés — às vezes sob raízes de árvores ou em canteiros de obras futuras.

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