Curiosamente, essas preguiças-gigantes deixaram seus rastros não apenas no Brasil. Mais evidências para essa hipótese foram encontradas no Parque Nacional White Sands, no Novo México (EUA). Ali, arqueólogos descobriram pegadas fossilizadas de preguiças-gigantes e humanos do Pleistoceno, indicando que esses animais enormes podem ter sido caçados por humanos antigos e que os paleonores serviam como proteção para as preguiças contra o perigo. Isso confirma que a rede de túneis não era apenas um abrigo, mas um complexo sistema de defesa e sobrevivência.
O tamanho e o bom estado de conservação dos paleonores brasileiros oferecem oportunidades únicas para o estudo do comportamento da megafauna extinta, que raramente deixa vestígios tão claros e vívidos de suas atividades. Ao contrário dos fósseis ósseos típicos, esses túneis fornecem evidências diretas do comportamento dos animais, de sua organização social e até mesmo de suas habilidades de engenharia. Pode-se dizer que as preguiças-gigantes nos deixaram não apenas seus restos mortais, mas cidades subterrâneas inteiras à espera de exploração.
Hoje, esses túneis, espalhados pela paisagem brasileira, são um dos fenômenos geológicos e paleontológicos mais enigmáticos e impressionantes da América do Sul. Eles nos lembram da vida incrível que floresceu nessa região milhões de anos atrás. E quem sabe quantas outras estruturas como essas jazem escondidas sob o solo brasileiro, à espera de revelar um mundo onde preguiças-gigantes vagavam pela Terra, cavando seus incríveis abrigos? Ao passear pelas cidades brasileiras modernas, raramente nos damos conta de que esses túneis ancestrais — testemunhas silenciosas da era dos gigantes — podem estar bem debaixo dos nossos pés.
