O transporte das descobertas até a sede do Instituto Mamirauá, localizada na cidade de Tefé, a uma distância de aproximadamente 190 quilômetros em linha reta, foi uma verdadeira expedição. A viagem fluvial levou de 10 a 12 horas e exigiu uma logística meticulosa. Cada urna foi envolta em filme plástico, estabilizada com moldes de gesso, coberta com camadas de plástico bolha e, finalmente, colocada em estruturas de madeira fixadas com cordas. Segundo Georgea Holland, uma das pesquisadoras da equipe, graças a esse processo meticuloso, os frágeis recipientes chegaram ao seu destino em excelentes condições, preservando seu segredo para a ciência.
Essa descoberta levanta novas questões para os cientistas. Quem eram essas pessoas que enterravam seus parentes em enormes recipientes ao lado de restos de animais? Seria uma cultura separada e desconhecida ou um ramo de uma civilização amazônica maior? Essa descoberta comprova, mais uma vez, que a Amazônia não era uma floresta selvagem e desabitada, como se acreditava por muito tempo, mas uma região densamente povoada com uma hierarquia social complexa, rituais desenvolvidos e soluções de engenharia únicas.
Essas ilhas artificiais e urnas funerárias são apenas uma pequena parte do que a floresta amazônica esconde. Elas desmentem o mito de que os povos indígenas do Brasil eram simplesmente nômades. Pelo contrário, construíram cidades, barragens, criaram solo fértil e, como vemos, criaram complexos funerários dignos das grandes civilizações da antiguidade. Cada descoberta desse tipo é mais um tijolo na construção de uma nova história do Brasil, uma história que está sendo escrita agora mesmo sob a copa da floresta amazônica.
